Um cachorro… um simples cachorrinho… Mas que chance terá ele para sobreviver neste nosso mundo globalizado?
Este grupo de indivíduos - os cachorros - podem ser comparados ao nosso modelo social-capitalista onde vemos desde cachorros emergentes até os submergentes (aqueles me morrem afogados num alagamento qualquer da cidade).
Tudo, é claro, depende da configuração dos seus respectivos mapas astrais no instante em que eles nascem.
Vejam, por exemplo, o cachorrinho de uma determinada ’socialite’. Ele precisa acordar, passear, tomar banho, se alimentar, dormir, acordar, passear, etc. Pode ser vítima de profundo stress se o dono precisar se ausentar por mais de duas horas!
Na outra ponta, temos o cachorro Zezinho, que precisa comer o que encontrar pelas ruas e, com sorte, morrerá cedo num daqueles alagamentos já mencionados.
Entretanto, o que eu gostaria de descrever é a vida de um grupo especial desta comunidade - o cachorro corporativo. Este cachorro, em geral vem acompanhado de seu ‘pedigree’ universitário e ávido por começar a proteger a casa de seu dono, com eficiência e determinação.
Já o seu dono, como todo humano que se preze, dará a devida atenção ao cachorro até o exato momento em que este se tornou sua propriedade…
O tempo passa… passa… passa…
O cachorro cresceu, engordou e perdeu sua agilidade. Quando o dono percebeu a situação, conversou com o mesmo e informou que estaria providenciando uma casinha maior, mais confortável, para atender às suas expectativas.
Novamente, o tempo passa… passa… passa… o dono troca de carro, gasta com festas e o tempo? Passa… passa… passa.
É nessa hora que o cachorro corporativo volta a se deprimir! Ele cresce por si só, mas seu dono sempre irá achar que onde ele está é o melhor para ele. Então, qual seria a solução?
Uma das alternativas seria procurar um lugar onde algum outro dono lhe oferecesse uma casinha maior, com maior conforto e maior quantidade de alimentos - eventualmente até, com possibilidades de arrumar uma parceira e constituir família.
Uma segunda opção, seria abandonar o dono atual e tentar contruir uma casinha em qualquer outro lugar, viver do alimento que conseguir caçar, impor seu território. Poderia se a melhor chance de sua vida. Viver para sempre, sem depender do dono.
Mas é aí que ele se revela um cachorro corporativo. A casinha é baixa, apertada, pouco confortável. Mas continua recebendo alimentos todo o dia e tomando banho ao menos uma vez por semana.
Todo este mundo pela frente, novas opções, novos desafios, novos ideais… E o medo de abandonar a vida segura que possui hoje! Com sorte, quando morrer, seu dono poderá lhe enterrar num saco plástico - antes de comprar um outro…
Vejam, meus amigos, não é ruim ser um cachorro corporativo. Apenas não se deixe morrer sendo apenas mais um. Este cachorro não é ’socialite’ mas poderá obter sucesso através de seu próprio esforço.
Para terminar, um ditado popular: “Quem muito espera… morre de velhice!”.
** Março/2001 **