27 de abril de 2009
O escorpião
Pela reação a dor, o mestre soltou-o. O animal caiu na água e estava afogando-se de novo. O mestre tentou tirá-lo e novamente o animal o picou.
Alguém que estava observando aproximou-se do mestre e lhe disse:
-"Desculpe-me, mas você é teimoso! Não entende que todas as vezes quetentar tirá-lo da água ele irá picá-lo?"
O mestre respondeu:
-"A natureza do escorpião é picar e isto não vai mudar a minha, que é ajudar".
Então, com ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água esalvou sua vida.
Moral da História:
Não mude sua natureza se alguém te faz algum mal, apenas tome precauções. Alguns perseguem a felicidade, outros a criam. Preocupe-se mais com sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, sua reputação é o que osoutros pensam de você. E o que os outros pensam é problema deles.
19 de dezembro de 2008
O princípio do nosso fim
Esta é uma das certezas que temos nesta vida e que nem sempre queremos aceitar. Quando nascemos, a contagem regressiva é disparada e nosso reloginho começa a caminhar rumo à auto-destruição.
Não sabemos quando o final irá chegar... Só sabemos que IRÁ chegar... (Neste ponto, gostaria de ressaltar que considero apenas o final normal de nossa existência. Finais abruptos, causados por acidentes ou fatalidades não estão inseridos no raciocínio que segue).
Assim sendo, quão vaga seria nossa breve existência neste mundo, se não realizarmos ações que possam beneficiar aqueles que aqui ficarão quando já tivermos partido? Por que pensarmos somente em nós mesmos, quando muito em breve já não existiremos?
Por quê?
Um princípio budista sugere que nossa plena felicidade só se dará no "nirvana", que é um estágio da evolução mental no qual percebemos que nada existe por si só e nos livramos da falsa ilusão da posse. Entretanto, se buscarmos o nirvana apenas para nós mesmos, contunuaríamos apegados à ilusão de um "eu" ou "nós" que limitam nossas mentes aos nossos corpos decadentes.
O sentido pleno de felicidade, ou nirvana, só ocorrerá quando tentarmos levar todos os seres até lá. Como fazer isso?
Voltemos à morte. Mais especificamente à nossa morte... O que faríamos neste momento? O que pensaríamos, o que mudaríamos? Esta é a análise que sempre devemos fazer enquanto vivemos... Nos imaginamos no momento da morte e tentamos avaliar se tudo o que fizemos durante a vida teria valido à pena. Devemos ponderar se fizemos mais amigos do que inimigos, se ajudamos mais do que atrapalhamos, se vivemos mais do que morremos...
Não é fácil. Apenas praticando conseguiremos reverter atitudes que já deixamos acontecer...
A morte marca um ciclo. Ou atingimos o nirvana, ou voltaremos várias vezes a este mundo, para sofrermos e tentarmos aprender tudo novamente...
Exercite a mente! Ajude e seja ajudado!
2 de dezembro de 2008
Precioso tempo
O tempo... precioso tempo.
Nem sempre nos damos conta mas ele não para. Apenas reclamamos quando o tempo é curto ou nos parece longo demais.
Queremos que o tempo passe rápido enquanto trabalhamos. Mas queremos que o tempo nunca passe quando estamos com quem amamos.
E quando dormimos, então? Perdemos boa parte da vida neste estado de semi-consciência pois nossos frágeis corpos não aguentam mais que isso...
Infelizmente o tempo não liga para nossas necessidades... Ele caminha sempre, seguindo fielmente o mesmo passo-a-passo dos últimos milhões de anos... Para ele, não somos nada. Nossos poucos sessenta ou oitenta anos de vida lhe parecerão o ciclo de vida de um inseto.
Cabe a cada um de nós a quase impossível tarefa de dividir adequadamente o tempo que nos resta... tempo para viver... tempo para dormir... tempo para trabalhar... tempo para amar... tempo para... tempo...
Publicado pela primeira vez em: 28/02/2003.
25 de novembro de 2008
Sobre as profundezas de nós mesmos
O cerne de nossos questionamentos está dentro de nós mesmos...
Tudo somos aquilo que queremos ser... A famosa frase que ouvimos quando crianças: "O que você quer ser quando crescer ?" denota a essência da realidade que, em geral, desprezamos e distorcemos para justificar eventuais falhas.
Mas queremos enganar a quem ? Os exemplos são claros e podem ser vistos a todo o momento. Mesmo aquele sujeito surfista, que muitas vezes é chacoteado por viver na praia e não fazer mais nada durante sua vida... No fundo, ele só faz o que escolheu para viver.
Ele vive para surfar e, ao menos tenta, surfar para viver. É verdade que a segunda afirmação nem sempre é totalmente realizada, mas ele não se arrepende de enfrentar os mais variados problemas da vida enquanto está executando a primeira (viver para surfar).
Voltando para nosso interior, podemos dizer que cada sentimento, cada percepção que tenhamos são originados pelas nossas mentes, brilhantes e desconhecidas. Segundo Michael Roach, cada percepção sentida por uma pessoa é gravada em sua mente pelo resto de sua vida e, elas crescem continuamente, com o passar do tempo.
Assim sendo, um simples desejo inocente de se tornar um médico acompanhará uma criança durante toda a sua adolescência, sua maturidade, sua vida... Aqueles que conseguem, por diversas razões, controlar melhor sua capacidade mental, provavelmente se tornaram médicos e cumprem confortavelmente suas tarefas.
Entretanto, outros podem esconder este desejo por muito tempo e, em algum momento do futuro, isto virá à tona. Provavelmente, durante a primeira crise profissional pela qual tiver que contornar, este indivíduo se lembrará: "Por que não estudei para ser...". Simplesmente porque não entendeu, não conseguiu lidar ou não obteve o apoio necessário de outras pessoas ao seu redor para fazê-lo não desistir e desviar do caminho.
Também devemos considerar que nem sempre é ruim não satisfazer um simples desejo, que pode seguí-lo eternamente. O segredo da vida é entender as circunstâncias nas quais estamos inseridos, entender como as marcas mentais afetam nosso cotidiano e nosso futuro e conseguir controlar quaisquer expectativas, racionalmente.
A racionalidade é uma característica do ser humano, pela qual deveria se diferenciar dos demais animais. Entretanto, deixamo-nos ser levados por instintos e ou crendices. Dominar a mente e utilizá-la melhor é a única chave para uma vida tranquila e plena em suas realizações.
Enfim, entendendo a si mesmo, você entenderá que a origem de tudo está dentro de você, muitas vezes disfarçado ou escondido em argumentos gerados para "justificar" os reais motivos que o levaram a não fazer alguma coisa...
Publicado pela primeira vez em: 13/08/2002.
14 de novembro de 2008
A causalidade
Ela influencia nosso dia-a-dia, manifestando reflexos do passado - até de vidas passadas - nas decisões que estamos por tomar. A causalidade se manifesta por um contexto. Este contexto é formado pelo conjunto de variáveis que irão influenciar as nossas decisões (se é que as temos...). E esse contexto é dinâmico, sendo alterado a todo instante por nós mesmos e por todos que estão à nossa volta.
É importante observar que a causalidade não nos remete ao "determinismo", que diz que as coisas acontecerão em nossas vidas por já estarem determinadas no momento em que nascemos (Maktub). Nós agimos e interagimos com outras pessoas e este relacionamento, por si só, tem o poder de alterar as condições pré-determinadas de nossas vidas.
Também pela causalidade, excluímos a possibilidade do "livre-arbítrio", uma vez que, quando decidimos algo, nossa decisão já está limitada pelas possibilidades geradas pelo contexto no qual estamos inseridos.
A escolha é uma ilusão. É uma forma de controle que as mentes que detém o poder (de alterar o contexto) exercem sobre as demais. Também não conseguimos escolher por outra pessoa. No máximo, conseguimos influenciar o contexto, alterando determinadas condições que irão aumentar ou diminuir o leque de possibilidades de escolha das outras pessoas.
Como os budistas acreditam: "eu posso lhe mostrar a porta, mas só você é quem poderá entrar".